China se consolida como referência estratégica para negócios brasileiros
Em evento do IDL, empresário catarinense apresenta dados sobre educação, segurança, consumo e inovação chinesa, e aponta caminhos para quem busca competitividade global
A compreensão do modelo chinês deixou de ser curiosidade para se tornar ativo estratégico. A avaliação é do empresário Jovelci Domingos Gomes, diretor-presidente do Grupo Sul Brasil, que abriu a agenda de 2026 do Instituto Democracia e Liberdade (IDL) com a palestra “Caminhos da China”, realizada nesta segunda-feira (4), em Curitiba.
“Compreender a China é uma vantagem estratégica para qualquer empresário brasileiro do século XXI”, afirmou. Ao longo da exposição, ele combinou relatos pessoais com uma bateria de dados sobre política, educação, segurança, consumo e inovação, elementos que, segundo ele, ajudam a explicar o desempenho econômico do país asiático e revelam oportunidades para o Brasil.
O presidente do IDL, Edson José Ramon, destacou o caráter do encontro. “É um encontro especial de conhecimento e reflexão. Este é um momento em que nos reunimos para promover o debate de ideias e ampliar nossa visão sobre temas relevantes para o desenvolvimento econômico e social”.
Ramon acentuou que o IDL segue firme em seu propósito de fortalecer a cidadania e estimular discussões que contribuam para o futuro do Paraná e do Brasil. “O nosso associado Jovelci Domingos Gomes, que veio de Caçador, com sua experiência no setor industrial e diversas viagens à China, traz uma palestra que certamente propiciará muitas informações e conhecimentos ao público”, afirmou.
Gestão por metas
Um dos pontos da apresentação foi o funcionamento do sistema político chinês. Segundo o palestrante, o Partido Comunista mantém células dentro de grandes empresas, públicas e privadas, influenciando decisões estratégicas. A formação da liderança, destacou, passa por exigência formal de pós-graduação e avaliação contínua por desempenho.
“O sistema é orientado por metas e meritocracia. Há uma competição entre governos locais por resultados”, disse, ao citar o presidente Xi Jinping, doutor em Direito, como exemplo de qualificação no alto escalão.
Educação e capital humano
Os dados educacionais chamam atenção. A China investe cerca de 4% do PIB em educação e apresenta indicadores superiores aos de diversos países como 97,2% de taxa de alfabetização; 91,8% de conclusão do ensino médio; 60,2% de matrícula no ensino superior e 13 universidades entre as 200 melhores do mundo.
“O modelo começa cedo. Em creches e escolas, crianças são estimuladas a desenvolver autonomia, disciplina e habilidades práticas, combinando atividades cognitivas e físicas, de jogos estratégicos a artes marciais”, pontuou.
Segurança e controle urbano
Na área de segurança, os números reforçam o contraste. A taxa de homicídios na China é de 0,46 por 100 mil habitantes, cerca de oito vezes menor que a de São Paulo e 46 vezes inferior à média brasileira. Em cidades como Xangai, há presença policial distribuída por bairros, tecnologia intensiva de monitoramento e índice de condenação que chega a 99,9%.
O controle também se estende à gestão urbana. Desde 2019, Xangai adota lei rigorosa de separação de resíduos, fiscalizada por câmeras e agentes, com multas elevadas para infrações.
Caso da Rua Nanjing
No campo do varejo, o contraste de modelos evidencia oportunidades. A Rua Nanjing, em Xangai, recebe 1,7 milhão de visitantes por dia e chega a 3 milhões em feriados, somando cerca de 620 milhões ao ano. Com 5,5 quilômetros de extensão, consolidou-se como destino global de consumo.
A comparação com a Rua 25 de Março, em São Paulo, ilustra estratégias distintas: enquanto o polo brasileiro se baseia em preço e volume, Nanjing aposta em experiência, cultura e alto ticket médio.
Shanghai Tower
Outro destaque é o Shanghai Tower, terceiro edifício mais alto do mundo, com 632 metros e 200 andares. O projeto, que custou US$ 2,4 bilhões, integra escritórios, hotel, comércio e observatório.
Entre os números, ele destacou: 380 mil m² de área construída; elevador mais rápido do mundo, a 74 km/h; 55 segundos do térreo ao 121º andar; 1,5 milhão de visitantes por ano e receita anual estimada em US$ 50 milhões. A estrutura conta ainda com um pêndulo de mil toneladas para estabilização contraventos, reduzindo em até 70% as oscilações.
Mobilidade elétrica
“A China também lidera a transição energética no setor automotivo. Em 2023, foram vendidos 12,9 milhões de veículos elétricos, o equivalente a 67% do mercado global. O país controla mais da metade do mercado mundial de baterias e domina a cadeia produtiva de insumos estratégicos, como grafite, lítio e cobalto”, afirmou.
Em Xangai, por exemplo, são 1,51 milhão de veículos elétricos registrados; 913 mil pontos de recarga; 96,2% da frota de ônibus é elétrica e 95% dos táxis seguem o mesmo padrão.
Jovelci Gomes disse que as políticas públicas impulsionam o setor. “Veículos elétricos têm placas gratuitas e acesso irrestrito, enquanto carros a combustão podem pagar até R$ 65 mil pelo licenciamento”.
Oportunidades para o Brasil
Para o palestrante, os números revelam mais do que eficiência, indicam caminhos. A integração entre planejamento estatal, inovação tecnológica e formação de capital humano cria um ambiente favorável a negócios e investimentos.
“Há oportunidades claras para empresários brasileiros, seja na indústria, na energia, na tecnologia ou no comércio. Mas é preciso entender a lógica chinesa e agir com estratégia”, afirmou.
Homenagem
Ao final do evento, Jovelci Gomes recebeu uma homenagem do IDL. Edson José Ramon entregou uma placa em reconhecimento à sua contribuição ao debate sobre democracia e liberalismo, além da disposição em compartilhar conhecimento.
Perfil do palestrante
Natural de Videira (SC), Jovelci Domingos Gomes construiu trajetória marcada por empreendedorismo e diversificação. É diretor-presidente do Grupo Sul Brasil, que começou em 1991 com a produção de puxadores para móveis e hoje atua em diferentes frentes industriais. Com formação em Administração, Engenharia Mecânica e Direito, possui MBA em Gestão Avançada e pós-graduação em Direito Tributário. Iniciou a carreira em funções operacionais na indústria, passando por diferentes etapas até assumir cargos de gestão. O grupo que lidera está entre as 500 maiores empresas do Sul do Brasil, com atuação nos setores de plásticos, materiais hospitalares (TNT), energia e mineração, além de presença nacional consolidada.
Fotos: Rafael Sanfilippo


